VIGÍLIA - Parte 1
- 1 de abr. de 2017
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O que é Vigília?
Vigília é todo ato em que se faz uma observação discreta e contínua das imediações e/ou perímetro de locais que se pretende apurar, para conhecer os hábitos, movimentos e ligações dos moradores e/ou frequentadores, assim fiscalizando a chegada e possibilitando a identificação e classificação de um alvo, ou alvos específicos. Significa ainda o seguimento de alguém, de modo secreto e/ou discreto, para conhecer seus hábitos, movimentos e ligações.
Vigília possui uma expressão de gíria conhecida por campana.
O Emprego da Vigília
A Vigília é empregada como um meio primário e essencial de obter informações e possui dois aspectos: Ofensivo e Defensivo.
- Vigília Ofensiva: Obtenção de informação para terceiros para a identificação de um ponto fraco do alvo.
Exemplo 1: Localização de pessoas, para prisão de criminosos, para flagrar um esposo ou esposa infiel, para se conhecer a ligação e movimentação de pessoas, para se observar reunião de pessoas, para se evitar a prática de crimes e de um modo geral, para obtenção de provas para solução de uma investigação.
Exemplo 2: Os ladrões e sequestradores utilizam a Vigília para conhecer os hábitos e movimentos dos moradores do local onde pretendem atuar, e, ainda, para evitar surpresas por parte de moradores ou policiais durante a ação. É tão típica esta última maneira de proceder, que o meliante que fica na Vigília recebe a designação de “o campana”.
- Vigília Defensiva: Obtenção de informação para defesa própria e/ou de terceiros identificando as intenções do alvo.
Exemplo 1: Medidas de contra Vigília.
Exemplo 2: Circuito fechado de televisão (CFTV)
Teoricamente, a Vigília é ofensiva para o alvo investigado, e é defensiva para quem investiga.
O emprego da Vigília exige habilidade de quem a executa. Durante uma Vigília o Detetive Particular deve tomar o especial cuidado para não chamar a atenção e não ser muito notado. Existe a possibilidade de moradores ou comerciantes locais o confundirem com um criminoso e chamarem a polícia para intervir.
Quando o objeto principal de uma Vigília é uma pessoa específica, a denominação dada a ela é de Sindicado(a), pois a ela será direcionado uma sindicância.
A chave de uma Vigília bem sucedida, consiste em agir conforme a Tríade da Vigília, ou seja, com Naturalidade, Discrição e Paciência:
Naturalidade: Qualidade de agir com simplicidade, conforme a natureza humana, quando utilizar-se de camuflagem, que pode ser natural (dissimulação) ou artificial (disfarce), utilizando-se de recursos que o ambiente exija ou exponha.
Discrição: Qualidade de ação cuidadosa, prudente, reservada e sensata. Resumindo, é a característica do que não tem intenção de chamar atenção.
Paciência: Virtude necessária para suportar o tempo de espera que a Vigília exige.
Vigília requer muito planejamento. Precisa fazer o reconhecimento da área e ter paciência até que consiga identificar o seu objetivo.
A Vigília deve ser precedida pela IP (Investigação Preliminar). O serviço de Vigília exige habilidade e disciplina do agente. Caso o Detetive Particular seja descoberto, não deve se dirigir imediatamente para o serviço ou para sua residência, pois poderá estar sendo alvo de Vigília.
O Sistema de Vigília
O sistema de Vigília pode ser classificado pela natureza e pelo grau de Vigília.
- Natureza da Vigília: Pode ser policial, que é exercida pela forças policiais de uma área (rondas ostensivas, operações policiais, etc) que são executadas por policiais. Neste caso dispõe de excelentes recursos (pessoal, instrumental e bélico). E pode ser informativa onde é exercida à custo de um serviço pelo Detetive Particular.
- Grau de Vigília: Pode ser cerrada, onde é exercida de tal maneira que o alvo não "foge" do esquema de Vigília (esquema de CFTV), e dificilmente utiliza-se apoio tático, ou pode ser discreta, que é uma forma mais difícil, pois utiliza-se de todas as formas de subtrair as artimanhas do Sindicado, portanto tendo que usar apoio tático.
Trecho retirado do livro MANUAL PRÁTICO AVANÇADO DE INVESTIGAÇÃO E SEGURANÇA

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